MCP (Model Context Protocol): o que é, como funciona e exemplos

O padrão aberto que liga o Claude, o ChatGPT e outros agentes de IA aos sistemas da empresa

MCP (Model Context Protocol) é um padrão aberto que define como um aplicativo de inteligência artificial, como o Claude ou o ChatGPT, se conecta a sistemas externos, como arquivos, bancos de dados, ERPs e lojas virtuais, para consultar informações e executar tarefas. Foi lançado pela Anthropic em novembro de 2024 e hoje é mantido por um fundo da Linux Foundation.

Guia atualizado em 30/10/2026 · fontes: modelcontextprotocol.io, Anthropic e OpenAI

Por Fábio Xavier, fundador da Uplaces · Publicado em 30/10/2026 · Atualizado em 30/10/2026

O que é MCP?

Em uma frase: o MCP é a tomada padrão que deixa qualquer aplicativo de IA compatível usar os dados e as ferramentas de qualquer sistema compatível, sem uma integração feita sob medida para cada par.

O significado da sigla

Model é o modelo de linguagem, o motor do Claude, do ChatGPT ou do Gemini. Context é o que o modelo precisa saber ou usar: o arquivo, o registro do banco, a ação de cadastrar um produto. Protocol é a regra que os dois lados seguem para conversar. Em português, protocolo de contexto de modelo.

Quem criou e quem mantém o MCP

A Anthropic, empresa que desenvolve o Claude, publicou o MCP em 25 de novembro de 2024 como projeto de código aberto, com a especificação, kits de desenvolvimento (SDKs) e um repositório de servidores prontos. Em 9 de dezembro de 2025, doou o protocolo à Agentic AI Foundation, um fundo da Linux Foundation cofundado por Anthropic, Block e OpenAI, com apoio de Google, Microsoft, AWS, Cloudflare e Bloomberg. Desde então, a evolução do padrão é decidida em público.

Que problema o MCP resolve?

Antes do MCP, cada aplicativo de IA precisava de uma integração própria para cada sistema. Cinco aplicativos e vinte sistemas davam até cem integrações, cada uma com o seu formato e a sua manutenção. No anúncio de 2024, a Anthropic resumiu: cada nova fonte de dados exigia a sua própria implementação.

Como era e como fica

Com o MCP, a conta vira soma. O dono do sistema escreve um servidor, e qualquer aplicativo compatível passa a usá-lo; quem faz o aplicativo implementa o cliente uma vez e alcança todos os servidores. Os mesmos cinco aplicativos e vinte sistemas pedem vinte e cinco peças, e não cem.

A analogia do USB-C, explicada com cuidado

A documentação oficial compara o MCP a uma porta USB-C para aplicativos de IA: assim como o USB-C padroniza a ligação entre aparelhos, o MCP padroniza a ligação entre a IA e os sistemas. A imagem funciona em dois pontos: o encaixe é um só, e trocar de aparelho dispensa trocar o cabo (trocar o Claude pelo ChatGPT mantém o mesmo servidor).

Em dois pontos ela engana, e é aí que mora o cuidado. Primeiro, o cabo leva energia e dados, e o servidor MCP leva poder de ação: ele pode ler a sua carteira de clientes e gravar preços. Ligar um servidor se parece mais com entregar a chave de uma sala do que com espetar um pendrive. Segundo, o encaixe padrão deixa em aberto o que cada aparelho faz: cada servidor decide quais ferramentas oferece, e a qualidade varia muito.

Como o MCP funciona: host, cliente e servidor

O MCP segue uma arquitetura de cliente e servidor com três papéis.

Os três papéis

PapelO que éExemplo
HostO aplicativo de IA que a pessoa usa e que coordena as conexõesClaude Desktop, ChatGPT, Cursor e VS Code
Cliente MCPA peça dentro do host que mantém a conexão com um servidor; o host cria um cliente para cada servidorA conexão do Claude Desktop com o servidor do Google Drive
Servidor MCPO programa que oferece dados e ferramentas, no computador da pessoa ou na internetO servidor de arquivos locais, o do GitHub, o da loja Uplaces

Os três participantes da arquitetura do MCP, segundo a documentação oficial.

O que um servidor MCP expõe: tools, resources e prompts

O que um servidor oferece cabe em três tipos, as primitivas:

  • Tools (ferramentas): funções que o aplicativo de IA pode executar, como consultar um banco ou criar um cupom. São elas que fazem o agente agir.
  • Resources (recursos): dados que dão contexto, como um arquivo ou o esquema de uma tabela.
  • Prompts: modelos de instrução prontos, como um roteiro de análise com exemplos.

No sentido contrário, o servidor pode pedir à pessoa uma informação ou uma confirmação no meio da tarefa (elicitation).

Por onde as mensagens viajam: JSON-RPC, stdio e HTTP

As mensagens seguem o JSON-RPC 2.0, um formato simples de pedido e resposta. O transporte tem duas opções:

  • stdio: para o servidor local, no mesmo computador do aplicativo, pela entrada e saída do programa, sem rede.
  • Streamable HTTP: para o servidor remoto, na internet. Aceita token ou chave, e a especificação recomenda o OAuth, o login com tela de aprovação.

A especificação é versionada por data. Na leitura de 30/10/2026, a versão mais recente publicada em modelcontextprotocol.io era a 2026-07-28.

Uma pergunta, do começo ao fim

  1. Ao conectar, o host pede ao servidor a lista de ferramentas (tools/list), cada uma com nome, descrição e campos.
  2. Você escreve: “quais produtos ativos estão sem foto?”.
  3. O modelo escolhe a ferramenta pela descrição, e o host envia a chamada (tools/call).
  4. O servidor executa, dentro da permissão da conexão, e devolve o resultado.
  5. O modelo responde, ou encadeia outra ferramenta.

Quem escolhe a ferramenta é o modelo, pela descrição que o servidor escreveu. Descrição vaga gera escolha errada, e isso separa um servidor MCP útil de um que só ocupa espaço.

O que é um servidor MCP? Exemplos reais

Servidor MCP (ou MCP server) é o programa que coloca um sistema ao alcance dos aplicativos de IA: recebe as chamadas no padrão MCP e as traduz para o sistema, quase sempre pela API que ele já tinha. Pode ser local, no seu computador, ou remoto, oferecido pela empresa dona do sistema.

Exemplos que você encontra hoje

  • Servidores de referência: no lançamento, em 2024, a Anthropic publicou servidores prontos para Google Drive, Slack, GitHub, Git, Postgres e Puppeteer, que controla um navegador.
  • Sistema de arquivos: servidor local que deixa o Claude Desktop ler as pastas que você indicar.
  • Ferramentas de trabalho: servidores remotos oficiais, como o do Sentry, de monitoramento de erros.
  • Comércio B2B: o servidor remoto da Uplaces, em mcp.admin.uplaces.com.br/api/mcp, pelo qual um agente consulta e configura uma loja B2B (veja mais abaixo).

Quantos servidores existem

Em dezembro de 2025, a Anthropic contava mais de 10 mil servidores MCP públicos ativos e mais de 97 milhões de downloads mensais dos kits de desenvolvimento em Python e TypeScript. Diretórios como o mcpservers.org listam servidores por categoria; antes de instalar um, confira quem o publica.

MCP no Claude e no ChatGPT: como conectar

Nos dois aplicativos, você informa o endereço do servidor, faz login no sistema e aprova o acesso. Os menus mudam com as versões, e o conector personalizado depende do tipo de conta.

Conectar um servidor MCP no Claude

  1. No Claude, abra a área de conectores e escolha adicionar um conector personalizado.
  2. Dê um nome e cole o endereço do servidor remoto informado pela empresa (na Uplaces, ele termina em /api/mcp).
  3. Clique em conectar. O Claude abre a tela de login do sistema.
  4. Entre com o seu usuário e, na tela de aprovação, escolha o que o Claude pode ler e alterar, e por quanto tempo.
  5. Abra uma conversa, ative o conector e faça um primeiro pedido só de leitura.

Conectar um servidor MCP no ChatGPT

  1. Nas configurações do ChatGPT, abra a área de conectores e adicione um servidor MCP personalizado.
  2. Informe o endereço e a autenticação, de preferência OAuth.
  3. Leia o aviso de risco: a OpenAI lembra que servidores personalizados são de terceiros.
  4. Aceite, conecte e faça login no sistema.
  5. Teste numa conversa. Antes de ação de escrita, o ChatGPT pede a sua confirmação.

No Claude Code, no Cursor e no VS Code

Aqui a conexão vai num comando ou num arquivo de configuração. No Claude Code:

claude mcp add --transport http uplaces https://mcp.admin.uplaces.com.br/api/mcp --header "Authorization: Bearer SUA_CHAVE"

No Cursor, o arquivo é o .cursor/mcp.json; no VS Code, o .vscode/mcp.json. A chave vai na configuração, nunca colada na conversa.

MCP, API, plugin e RAG: qual a diferença?

Os quatro termos aparecem juntos e se confundem. A tabela mostra o papel de cada um.

Comparação lado a lado

APIMCPPluginRAG
O que éA porta de um sistema para outros programasUm padrão para aplicativos de IA usarem dados e ferramentasUm pacote de extensão para um aplicativo específicoUma técnica de buscar trechos de documentos e entregá-los ao modelo
Para quem foi feitoProgramadores, que escrevem código para cada APIModelos de IA, que leem a descrição das ferramentasOs usuários daquele aplicativoO próprio modelo, antes de responder
Lê ou ageLê e grava, conforme a APILê e grava, conforme a permissãoDepende do que o pacote trazSó lê
ExemploA API do ERP que recebe pedidosO servidor da loja que lista produtos sem fotoUm plugin do Claude que traz um servidor MCP e instruções de usoO assistente que busca a resposta na central de ajuda

MCP, API, plugin e RAG: o papel de cada um.

Eles competem ou se somam?

Se somam. O servidor MCP costuma chamar a API por trás, um plugin pode empacotar um servidor MCP, e um servidor pode oferecer uma busca que usa RAG por dentro. Ligar dois sistemas é trabalho de API; dar a um agente de IA acesso controlado a um sistema é trabalho de MCP.

MCP é seguro? Permissão, chave e histórico

O protocolo define a conversa; a segurança depende de como o servidor foi construído e configurado. Quatro pontos decidem o risco.

Permissão: o agente faz o que a conexão deixa

Um bom servidor separa leitura de alteração, área por área, e nunca dá ao agente mais poder do que o de quem aprovou a conexão. Comece pelo menor acesso.

Chave e login: como o agente prova quem é

No OAuth, você vê quem pede acesso e para onde a aprovação volta. Na chave, usada em automações, o segredo fica na configuração do agente. Prefira validade curta e revogue o que deixou de usar.

Injeção de instruções: o risco que vem no conteúdo

A documentação da OpenAI alerta para a injeção de instruções (prompt injection): um texto malicioso escondido num documento, num e-mail ou numa página pode tentar mudar o comportamento do agente e vazar dados. Confiar em quem fez o servidor é metade da conta; a outra é o conteúdo que ele alcança.

Histórico: o que o agente fez, quando e por qual conexão

Toda escrita precisa deixar rastro, com o antes e o depois. Prefira servidores que simulam antes de gravar e mostram o histórico por conexão.

Checklist: antes de conectar um agente via MCP

Dez perguntas para revisar antes de liberar qualquer servidor MCP na empresa.

  1. 1. Quem publica o servidor? Prefira o oficial da empresa dona do sistema.
  2. 2. Para onde volta a aprovação? Na tela de login, o retorno deve ir para o aplicativo que você está conectando. Se não reconhecer, recuse.
  3. 3. O que ele lê e o que ele altera? Separe as ferramentas de leitura das de escrita.
  4. 4. Dá para limitar por área? Para começar, leitura em tudo e alteração em uma área.
  5. 5. Qual o prazo da conexão? Curto para testes; nas automações, anote o vencimento.
  6. 6. Onde fica a chave? Na configuração do agente ou num cofre, nunca na conversa.
  7. 7. Existe simulação antes de gravar? Só confirme depois de ler o que mudaria.
  8. 8. O histórico mostra antes e depois? Saiba onde ver cada ação, com data e conexão.
  9. 9. Para onde vão os dados lidos? Passam pelo serviço de IA; confira a política de privacidade e de treino da sua conta.
  10. 10. Como desligar? Revogue no próprio sistema, além de remover o conector do aplicativo.

Pode copiar e adaptar esta lista; se publicar, cite esta página como fonte.

Glossário do MCP em 12 termos

Os termos da documentação e dos aplicativos, cada um em uma linha.

Do host ao OAuth

TermoEm uma linha
HostO aplicativo de IA que a pessoa usa e que coordena as conexões MCP
Cliente MCPA peça do host que mantém a conexão com um servidor
Servidor MCPO programa que oferece ferramentas, dados e prompts aos aplicativos de IA
ConectorO nome que o Claude e o ChatGPT dão a um servidor MCP conectado
ToolFunção que o modelo pode executar, como criar um cupom
ResourceDado oferecido como contexto, como um arquivo ou um registro
PromptModelo de instrução pronto, oferecido pelo servidor
ElicitationPedido do servidor por uma informação ou uma confirmação da pessoa
JSON-RPC 2.0O formato de pedido e resposta das mensagens do MCP
stdioO transporte do servidor local, pela entrada e saída do programa
Streamable HTTPO transporte do servidor remoto, pela internet
OAuthO login com tela de aprovação, recomendado para servidores remotos

Glossário do MCP. Pode reproduzir com link para esta página.

Quem adotou o MCP

Em pouco mais de um ano, o MCP saiu de um anúncio da Anthropic para o suporte dos principais aplicativos de IA.

A linha do tempo

  • Novembro de 2024: a Anthropic lança o protocolo no Claude Desktop. Block e Apollo são as primeiras a adotar; Zed, Replit, Codeium e Sourcegraph, de ferramentas de programação, trabalham com o MCP.
  • Até dezembro de 2025: segundo a Anthropic, o MCP foi adotado pelo ChatGPT, pelo Cursor, pelo Gemini, pelo Microsoft Copilot e pelo Visual Studio Code, entre outros.
  • 9 de dezembro de 2025: o protocolo passa à Agentic AI Foundation, ao lado do goose, da Block, e do AGENTS.md, da OpenAI.

MCP nas vendas B2B: o que um agente faz na loja da sua distribuidora

Agora, um exemplo de primeira mão: a Uplaces, plataforma de pedidos e loja B2B para indústrias, distribuidoras e representantes, mantém um servidor MCP em produção. Os pedidos abaixo saem da ajuda dos Agentes de IA da Uplaces.

Cinco pedidos que funcionam hoje

Para fazer istoPeça ao agentePermissão
Achar cadastro incompleto“Quais produtos ativos estão sem foto, sem preço, sem NCM ou sem categoria?”Produtos, ler
Cadastrar o catálogo de uma planilha“Cadastre os produtos desta planilha na categoria Limpeza. Simule antes de gravar.”Produtos, alterar
Ver a carteira de uma cidade“Liste os clientes de São Paulo e mostre a política comercial de cada um.”Clientes, ler
Acompanhar os pedidos“Liste os 10 pedidos mais recentes, com o cliente e a situação.”Pedidos, só leitura
Revisar impostos“Mostre o resumo das minhas regras de ICMS-ST e quais têm alerta.”Impostos, ler

Pedidos reais ao servidor MCP da Uplaces, da página de ajuda dos Agentes de IA.

Na indústria: o catálogo que chega em planilha

A linha nova chega numa planilha com nome, código e preço. O administrador anexa a planilha na conversa e pede o cadastro; o agente mostra a simulação, e os produtos nascem inativos, para alguém conferir antes de aparecerem aos compradores.

Na distribuidora: preço por tabela e promoção da semana

Com milhares de itens e várias tabelas, a distribuidora pede o preço de um produto numa tabela, o estoque de uma lista de códigos ou a promoção da semana. Detalhe que aprendemos cedo: o estoque informado é o valor final, e não uma soma.

No escritório de representação: a carteira antes da visita

O gestor pergunta quais clientes ficam numa cidade, a política comercial de cada um e os pedidos recentes. São consultas de leitura, as mais seguras para começar.

O que aprendemos ao colocar um servidor MCP em produção

  • Pedidos ficam só para consulta: o pedido entra pelo app, pela loja ou pela API.
  • Credenciais de pagamento ficam fora do alcance do agente: chave de gateway, chave Pix e conta de recebimento só mudam pela tela, por uma pessoa.
  • Toda alteração aceita simulação, e o histórico guarda o antes e o depois.
  • Cada conexão vale para uma loja, com permissão por área, prazo e, se preciso, IPs autorizados.
  • Cada chave tem limite de chamadas por minuto; ao chegar nele, o agente recebe o tempo de espera.
Pedidos da loja B2B e do app de vendas chegando ao ERP
AGENTES DE IA NA UPLACES

O Claude ou o ChatGPT trabalhando na loja B2B da sua empresa

Os Agentes de IA da Uplaces usam um servidor MCP para conectar o Claude, o ChatGPT, o Cursor, o n8n ou um agente seu a uma loja B2B. O administrador aprova a conexão, escolhe o que o agente lê e altera em cada área e por quanto tempo, e acompanha tudo no histórico. É um módulo à parte da Uplaces IA, que monta o rascunho do pedido com a mensagem do cliente.

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Perguntas frequentes

É um padrão aberto que deixa aplicativos de IA, como o Claude e o ChatGPT, usarem dados e ferramentas de outros sistemas, dentro da permissão que você deu.

Model Context Protocol, ou protocolo de contexto de modelo: a regra de conversa entre o modelo de IA e os sistemas que dão contexto a ele.

Foi criado pela Anthropic em novembro de 2024. Desde dezembro de 2025, é mantido pela Agentic AI Foundation, da Linux Foundation, e funciona no ChatGPT, no Gemini, no Microsoft Copilot e no Cursor.

A API é a porta do sistema para outros programas, com código próprio em cada integração. O servidor MCP usa essa API por trás e descreve as ferramentas num formato que qualquer aplicativo de IA compatível entende.

Para usar um servidor pronto, não: basta colar o endereço no aplicativo e aprovar o acesso. Programar entra para criar um servidor novo, com os SDKs oficiais.

O protocolo é aberto e de uso livre. O custo vem dos serviços: a conta no aplicativo de IA e o sistema que oferece o servidor podem ser pagos, conforme as regras de cada um.

Confira quem o publica, prefira o oficial, comece só com leitura e veja se ele guarda histórico. O checklist desta página reúne os dez pontos.

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