Curva ABC de clientes: como fazer e usar na carteira

O passo a passo, uma tabela de exemplo
e o que fazer com cada classe

Curva ABC de clientes é a classificação da carteira pelo faturamento de cada cliente no período. Os clientes A concentram a maior parte da receita, os B ficam no meio e os C formam a cauda. Os cortes mais usados, 80/15/5 ou 70/20/10, são convenções.

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Para que serve a curva ABC de clientes

Em quase toda carteira, poucos clientes respondem pela maior parte do faturamento. É o princípio de Pareto aplicado a vendas. A curva ABC torna essa concentração visível e ajuda a responder uma pergunta prática: onde o tempo do vendedor e a condição comercial têm mais retorno.

Curva ABC de clientes ou de produtos

O método é o mesmo; muda o que se ordena. A curva de produtos ordena os itens pelo faturamento ou pela saída e serve para compras e estoque. A curva de clientes ordena quem compra e serve para a gestão da carteira: frequência de visita, prioridade de atendimento e política comercial.

Como fazer a curva ABC de clientes, passo a passo

Uma planilha resolve. O cuidado está em usar o dado certo:

  1. Escolha o período. Doze meses tiram o efeito da sazonalidade. Seis meses servem para carteiras que mudam rápido.
  2. Puxe o faturamento por cliente. Use o valor faturado no ERP, já descontadas as devoluções. Agrupe filiais do mesmo cliente se elas compram juntas.
  3. Ordene do maior para o menor. O primeiro da lista é o cliente que mais faturou no período.
  4. Calcule o percentual de cada cliente. Faturamento do cliente dividido pelo faturamento total da carteira.
  5. Calcule o acumulado. Some o percentual de cada linha com o de todas as linhas acima dela.
  6. Aplique os cortes. Na convenção 80/15/5, é A quem está até 80% do acumulado, B até 95% e C o restante.
  7. Refaça a cada trimestre. Cliente muda de classe, e a curva vale para decidir o próximo período, não para sempre.

Exemplo com 10 clientes

Uma carteira com 10 clientes faturou 1 milhão de reais em 12 meses. Ordenada e com os cortes 80/15/5:

ClienteFaturamento (mil reais)% do total% acumuladoClasse
Cliente 145045,0%45,0%A
Cliente 225025,0%70,0%A
Cliente 310010,0%80,0%A
Cliente 4606,0%86,0%B
Cliente 5454,5%90,5%B
Cliente 6353,5%94,0%B
Cliente 7252,5%96,5%C
Cliente 8151,5%98,0%C
Cliente 9121,2%99,2%C
Cliente 1080,8%100,0%C

Exemplo ilustrativo, com números inventados para mostrar o cálculo.

Três clientes, 30% da carteira, fazem 80% do faturamento e formam a classe A. Os três seguintes somam 14% e são a classe B. Os quatro últimos, 40% da carteira, somam 6% e são a classe C.

Os cortes são convenção, não regra

Com os cortes 70/20/10, o mesmo exemplo muda: só os clientes 1 e 2 ficam na classe A, os clientes 3 e 4 vão para a B e do 5 em diante tudo vira C. Nenhuma das duas versões está errada. O corte certo é o que cabe na capacidade de atenção da equipe: se o vendedor consegue dar tratamento especial a 15 clientes, a classe A não pode ter 60. Há quem corte por número de clientes em vez de faturamento, por exemplo os 20% maiores como A.

A concentração também é risco

No exemplo, o cliente 1 sozinho é 45% do faturamento. Perder esse cliente derruba quase metade da receita. A curva ABC mostra a oportunidade e, ao mesmo tempo, a dependência.

O que fazer com cada classe

A curva só vale se mudar a rotina. Um ponto de partida para cada classe:

Classe A: atenção máxima

Visita mais frequente, contato do gerente, condição negociada e acompanhamento próximo do ciclo de compra. Um atraso de pedido num cliente A é assunto do mesmo dia. Vale também mapear quem decide a compra lá dentro, porque a troca de comprador é o momento de maior risco.

Classe B: onde está o crescimento

São clientes que já compram com regularidade e ainda têm espaço. O trabalho é ampliar o mix e aumentar a frequência. É daqui que costumam sair os próximos clientes A.

Classe C: atender com custo menor

Visita mais espaçada, atendimento por telefone ou pela loja B2B, e pedido mínimo que cubra o custo de separar e entregar. O cliente C pode fazer a reposição sozinho, a qualquer hora, sem ocupar a agenda do vendedor.

Cuidado: a curva olha para trás

A classificação mostra o que o cliente comprou de você, não o que ele compra no mercado. Um cliente C pode ser uma loja grande que compra quase tudo do concorrente, ou um cliente novo crescendo. Antes de reduzir o atendimento, pergunte qual é o potencial dele.

SEGMENTAÇÃO POR TAGS

Marque a classe no cadastro e aplique a regra certa

Com a classificação feita na planilha ou no ERP, agrupe os clientes por tags no cadastro da Uplaces, por exemplo A, B e C, e defina um valor mínimo de pedido por grupo. A segmentação também ajuda a decidir quais políticas comerciais aplicar a cada conjunto de clientes. E o cliente C repete um pedido anterior pela loja B2B, sem esperar a visita.

Perguntas frequentes

É a classificação dos clientes pelo faturamento do período. A são os poucos que concentram a maior parte da receita, B o meio e C a cauda.

Os cortes mais usados são 80/15/5 e 70/20/10 do faturamento acumulado. São convenções: escolha o que cabe na capacidade de atendimento da equipe.

O método é o mesmo. A de produtos ordena os itens e serve para compras e estoque. A de clientes ordena quem compra e serve para a gestão da carteira.

A cada trimestre é um bom ritmo, sempre com o mesmo período de análise, como os últimos 12 meses.

Sim. Ordene os clientes pelo faturamento, crie uma coluna com o percentual de cada um, outra com o acumulado e uma fórmula que devolve A, B ou C conforme o acumulado.

Não. Ele pede um atendimento de custo menor, como a loja B2B e a visita espaçada. E pode ter potencial alto se compra a maior parte do concorrente.

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